PROFESSOR VAI TER QUE MELHORAR O ALUNO PARA RECEBER DIPLOMA

FÁBIO TAKAHASHI
DE SÃO PAULO

O Ministério da Educação lançará nas próximas semanas programa para tentar melhorar o desempenho de alunos e professores em matemática, física, química e biologia, tanto no ensino médio quanto no superior.

As quatro matérias são as que mais possuem problemas de qualidade, de acordo com o próprio governo federal.

Uma das ações será a oferta de pós-graduação em universidades federais e privadas a professores que lecionam as disciplinas nas escolas públicas de ensino médio.

O certificado garantirá aumento salarial ao docente (progressão na carreira), mas só será concedido se houver a comprovação de que seus estudantes melhoraram –exigência inédita em programas federais de educação.

“Hoje, gasta-se muito com formação dos professores, mas a melhoria não chega aos alunos”, disse Mozart Neves, que coordenará o programa do Ministério da Educação.

A forma de avaliar a evolução dos estudantes não está definida. O docente reprovado poderá refazer o curso.

O número de professores participantes do programa dependerá da adesão dos Estados, que são os responsáveis pelos docentes.

O país tem cerca de 250 mil docentes de ensino médio em matemática, física, química e biologia, segundo os últimos dados do governo. Mas boa parte não tem formação na área –em física, são 90%.

OUTRAS FRENTES

“Temos um número insuficiente de professores nessas áreas. E a procura pelas licenciaturas é insuficiente”, disse o ministro da Educação, Aloizio Mercadante. Para tentar reverter o quadro, o programa terá outras duas frentes.

Em uma delas, o governo tentará incentivar alunos do ensino médio a escolherem o magistério nessas áreas.
Para isso, estudantes com interesse nessas matérias passarão a ter aulas de reforço e ganharão ajuda mensal de R$ 150 (paga pela União).

Eles participarão também de atividades nas universidades em grupos que reunirão docentes universitários, alunos de licenciaturas e professores das escolas básicas. A meta é recrutar 100 mil estudantes do ensino médio.

Em outra frente, os estudantes que já estão nas licenciaturas poderão fazer aulas de reforço nos conteúdos básicos, numa tentativa de diminuir a evasão nos cursos.

Ex-diretor da Unesco no Brasil (braço da ONU para educação), Jorge Werthein diz que o programa é interessante. Ele faz, porém, ressalva sobre a vinculação do certificado de pós-graduação ao professor à melhoria dos alunos.

“Ainda não se encontrou uma boa forma de avaliar o trabalho do professor. Pode haver injustiças.”

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Uma resposta para “PROFESSOR VAI TER QUE MELHORAR O ALUNO PARA RECEBER DIPLOMA

  1. Me lembro que quando aprendi o beabá, o aluno respeitava o professor. O mestre tinha autoridade dentro da sala de aula. Se o moleque brincava, ia para o castigo: de joelho no milho ou palmatória nas mãos. Se não estudava, ficava reprovado e apanhava uma bela surra dos pais.
    Agora, o mestre tem medo do aluno, e pavor dos pais. Tem que aprovar o neguinho de qualquer maneira ou quem paga o pato é ele mesmo, o professor. Pode ser advertido oficialmente ou até mesmo demitido, ficando sem seu emprego de pouca valia.
    Ora, o sistema é cruel e excludente, tornando o professor pior que o aluno, pois ele já passou por ali. É um ciclo vicioso. Cada vez mais se tem alunos sem a minima qualificação e professores piores ainda. Se o sistema não mudar radicalmente, a cada geração teremos mais obliterados neste país.
    Fico pensando onde vamos parar, nessa descida sem freios rumo à burrice patrocinada pelo poder central.
    Outro dia assisti a um documentário sobre educação na Finlandia. Lá por aquelas bandas, no final da década de cinquenta, o governo tomou uma decisão: investir todas as suas fichas na educação, especialmente a fundamental, para poder transformar aquele pequeno pais em um gigante da qualidade de vida e do desenvolvimento. Depois de quarenta anos, entrando e saindo governos, mas todos mantendo o programa educacional, a Finlandia chegou ao nível de ter em seus quadros do ensino fundamental a minima qualificação de mestrado. Ou seja, qualquer professor de interior tem que ser mestre para poder lecionar. Resultado: um país com excelente qualidade de vida, alto padrão de desenvovimento, e acima de tudo uma excelente distribuição de renda.
    E por aqui? Já vi nesses interiores, e tenho fotos para comprovar, escolinhas cobertas com palha de ubuçú, e por sanitários, sapopembas com uma vara atravessada onde os alunos ficavam de cócoras, exercitando o equilíbrio para não cairem sobre os excrementos. A professora vivendo em um quartinho nos fundos da escola, uma verdadeira degradação da cidadania. Com esse cenário teremos bons professores ou futuros bons alunos?

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