PEIXE DO MEU AQUÁRIO

CaéO futebol amapaense tem suas histórias, tem suas entranças que neófitos não dominam como informação, já que são memórias de 50, 55 anos atrás; o negro do registro é meu amigo de infância, Deolindo Gonçalves Lima, o Caé, 65 anos de idade;  nasceu no Bairro Alto, foi moleque peladeiro, bom de porrada e baladeira. Era muito dificil  ele mirar uma curica na copa das mangueiras centenárias do Largo da Matriz pra não trazê-la ao chão mortalmente ferida…E quando a discussão descambava para a briga corporal, ele resolvia no braço, como gostava de fazer.

Mas a faceta mais impressionante do meu amigo aí da foto, negro alto, braços, pernas cumpridas e forte, centro-avante fominha de gol, era sua habilidade como peladeiro capaz de ficar com a bola o tempo que quisesse em um rachão em campo encharcado pela chuva; o cara era liso, capaz de levar a bola da sua área ao gol adversária sem que seus marcadores o derrubassem ou lhe roubassem a bola que colava no pé feito grude. Ele e Bereco, outro amigo de infância que hoje vive em Belém, foram os dois maiores peladeiros que vi jogar nos campinhos do Largo da Matriz e nas peledas jogadas na lama do Rio Amazonas, na frente da cidade, na minha infância querida.

No futebol amapaense ele começou vestindo a camiseta do Juventus, de onde se transferiu para Guarany; foi jogar no Pará na década de sessenta (Tuna e Sport Clube Belém), passou pelo futebol do Amazonas. No Estádio da Colina, jogando pelo Nacional contra o Cruzeiro de Tostão e companhia, aconteceu uma passagem importante da sua carreira que não esquece, a derrota de seis a zero para os  mineiros…De Manaus para o São Domingos de Porto Velho (time da fábrica de borracha, ele lembra), e daí para o Operário de Mato Grosso e o Velo Clube de Rio Claro (SP), até deixar o País com destino à Cochabamba (Bolívia), onde jogou pelo The Strongest e Jorge Wilstermann. Foi campeão por alguns times, e faz algum tempo que pindurou as chuteiras e retornou à Macapá, depois de uma temporada na Guiana Francesa.

Deolindo, o Caé dos campinhos do Largo da Matriz e das aventuras pelos campos de futebol do Brasil e da Bolivia, não ficou rico com suas andanças, mas encontrou Jesus no retorno à Macapá, e está feliz assim mesmo; não bebe, não fuma, abriu um oficina de motocicleta na rua Francisco Otaviano Costa, nº 3036, Novo Horizonte, e virou levita consagrado da Igreja ‘Deus É Fiel’, do pastor Daniel Souza, no bairro onde vive humildemente com sua família e é respeitado pela comunidade. Ficou satisfeito por considerá-lo Peixe do Meu Aquário e contar sua história no meu blog, o que faria outra vez, se fosse necessário… Que Deus o abençoe!

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Uma resposta para “PEIXE DO MEU AQUÁRIO

  1. tem apenas 2 anos que conhecí essa figura nobre, quando cheguei em Macapá, estou muito feliz com sua amizade, companheiro pra todas as horas, é um Negro do coração de ouro! Pr Eliel Lima

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