CRÔNICA

OLHA O BICILANCHE AÍ, GENTE!!

Inventivo, o afuaense, aqui pertinho de nós, colocou em circulação sobre pontes de madeira e concreto o bicitaxi, que nada mais é que a solução encontrada pelo caboclo da Amazônia para garantir o leite das crianças numa cidade sem empregos, sem ruas e avenidas por onde pudessem trafegar automóveis, táxis de verdade.

DSC00503E olha que são muitas as famílias do Afuá que vivem do serviço de bicitáxi, que ganhou o mundo, já foi mostrado nos programas de maior audiência da TV brasileira a propósito de outro fenômeno criado pelos afuaenses, o Festival do Camarão, que atrai para a ilha vizinha centenas de visitantes todos os anos, gente que por sua vez leva dinheiro que movimenta o turismo e o comércio da veneza paraora.

Em Macapá não vivemos totalmente no firme, já que precisamos considerar áreas de ressaca, onde moram milhares de famílias que precisam de passarelas de madeira para ir e vir, para chegar e sair de suas casas ou palafitas fincadas no interior desses locais insalubres.

Não somos uma ilha, como o Afuá, sem deixar de ser; de certa forma precisamos também de criatividade para vencer o isolamento, as desigualdades regionais, o desemprego, a economia do contra cheque.

Não é à toa que o comércio informal invadiu as calçadas da cidade e o macapaense criou sobre duas rodas, ou três, o carrinho de assar batata frita, que ele leva pra casa pedalando depois de faturar na orla, onde vende também bombons, refrigerante, cerveja e água mineral, tudo sem pagar imposto.

Claro que essa onda é impulsionada também por outros motivos, vamos pensar um pouco, antes de saudar a criação do bicilanche, uma solução criada pela pobreza e a desesperança, algo que está por toda parte, empestando as cidades de um estado sem industria, sem política de geração de emprego e renda.

Famílias pobres que migram do interior do Pará pra Macapá, famílias de estados como o Maranhão e o Piauí não têm competitividade e preparo dos gaúchos, dos paranaenses, dos riograndenses do norte, dos cearenses, dos paulistas, dos cariocas e de parte dos amapaenses que se habilitam aos melhores cargos oferecidos pelo serviço público, seja no executivo, no legislativo, no judiciário ou nas autarquias.

Então, para vencer o cerco da pobreza e da fome, o jeito é inventar, e o caboclo inventou o bicilanche, a lanchonete sobre as duas rodas da bicicleta, que é barata, pode andar na contra-mão, estacionar sobre a calçada, e pode ir a qualquer lugar onde tenha gente querendo comer um bolinho de carne, uma coxinha de camarão, um pastel ou tomar suco de maracujá.

O público alvo do bicilanche são trabalhadores no pé da obra, comerciários, flanelinhas, desempregados, pedintes do centro da cidade, gente sem poder aquisitivo para ir ao restaurante ou comer salgadinho e sanduiche em uma lanchonete daquelas que pagam imposto e são fiscalizadas pela Vigilância Sanitária, uma senhora difícil de se ver cumprindo sua obrigação, como deveria ser – basta olhar o aspecto pouco recomendável do bicilanche aí em cima, um convite aos dissabores de uma diarréia, de um câncer de estômago a longo prazo…Vai uma coxinha aí, amigo?

  

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