IMPRESSÕES

6Rupsilva

NO ESCURO, DE OLHOS VEDADOS

É onde parecem estar médicos e governo que não conseguem colocar com clareza as razões do conflito que travam desde o inicio da atual gestão. Não fazendo, faço eu.

O governo reclama, com razão, do não cumprimento de sobre avisos, escala de plantão e de horas de contratos de trabalho feitos pela metade ou não realizados, o que, no final das conta prejudica o cidadão que não tem seguro de saúde.

O recente debate travado pelo neurologista Alejandro Gadena e pelo advogado Roberio Oliveira, adjunto de saude no Café com Noticia da Rádio Diário FM, que acompanhei com redobrado interesse, mostrou mais uma vez o intenção de manter o contribuinte desinformado.

Nesse ponto contribuíram os debatedores e o programa, esse pouco interessado em saber de que lado estava a verdade. Muito menos se o Presidente do Conselho Regional de Medicina, Dorimar Barbosa, mesmo licenciado, poderia freqüentar a escala de plantão ou de sobre aviso. Que não pode, todo mundo sabe.

Nem tão pouco se Alejandro cumpre a risca seu horário de atendimento conforme exigência de todos as normas funcionais. Caso contrário qual a razão dessa exigência sobre sua pessoa, renomado neurologista com bons serviços prestados ao Amapá?

Mesmo deixando obscuras essas questões ficou claro, todavia, o seu viés político. Paira sobre Camilo Capiberibe a sombra do pai, o ex-governador João Alberto que sucedeu a era Barcellos e que teve de travar uma batalha sem quartel contra maus gestores, políticos corruptos, cartéis da construção civil, empresários sonegadores, apadrinhados e inúmeros setores do sistema acostumados com vantagens indevidas e privilégios.

Ação concentrada no interesse da melhor aplicação dos recursos públicos,  escassos no seu governo, João Capiberibe foi satanizado e vitima de agravos que culminaram com sua injusta cassação, cuja lembrança incomoda muita gente.

Beneficiária do sistema fraudulento instalado na máquina administrativa do órgão, com recebimento de vantagens criadas ao bel prazer pelo secretário, quase sempre médico, com histórico repetido de prisões e investigações, a categoria médica permanece na posição de sempre: incondicionalmente contra qualquer governo que queira consertar isso e fazer funcionar o sistema.

O governo [não vou inclusive personalizar] não deseja mais que normalizar o atendimento da população carente que, como qualquer cidadão, está amparada pela Constituição.

Mesma administração que se propõe recuperar, como já demonstrou, os valores dos serviços extraordinários aviltados pela gestão passada, que estabeleceu valores irrisórios nunca reclamados por que havia o celebre acordo “eu finjo que te pago e tu finges que trabalha”; certamente viveriam felizes para sempre se não houvesse eleição.

Por que estaria o governo errado em exigir o cumprimento fiel dos contratos e maior engajamento da categoria na solução dos problemas do atendimento da população, resultado da má administração do governo anterior? Que mal há nisso?

A crise, segundo se comenta, é orquestrada por setores apeados do poder, os mesmos  que negociavam o silêncio da categoria com privilégios e vantagens deteriorando o Sistema e seu funcionamento.

Veja o caso da esposa do Presidente do Sindicato que de posse de dois contratos com o governo cumpre meio, sem contar o contrato de fornecimento de alimentação especial feito com a anuência do titular do contrato segundo me informaram.

Isso ninguém pergunta nem quer saber. Isso o presidente do sindicato não troveja quando fala mal do governo que resolveu dar um basta nos esquemas e mamatas.

O perfil comprometedor e ridículo que assumiu, deixa claro que a categoria médica chegou ao fundo do poço ao servir de “massa de manobra” a grupos políticos – Harmonia principalmente, que deseja, na marra, voltar ao poder.

O mais grave é que a sociedade já sabe por quem e por que batalham tanto os médicos a ponto de ouvir de um popular o nada lisonjeiro adjetivo de “patifes” dirigido aos que deixam de atender a população sem condições de pagar uma consulta.

Do ponto de vista das lideranças médicas – Sindicato e Conselho Regional, esse deslocado de suas funções constitucionais, a Saúde Pública do Amapá é um poço sem fundo, pois vivem exigindo mais e mais vantagens econômicas, criando uma crise em cima de outra, como se não fosse interesse do governo investir recursos na melhoria dos serviços prestados à população; é uma prática para impedir o governo de respirar, de pensar, de organizar o Sistema.

E o mais grave é que os médicos[não todos] não se sensibilizam  com a situação da população desassistida quando, de forma grosseira e destemperada, desafiam as autoridades da Saúde e deixam claro o desejo de sangrar a jugular do jovem Governador Camilo que busca, em meio as crises “fabricadas”, colocar o sistema de saude pública para funcionar.

E vão além: desafiam, também, as outras instituições responsáveis em garantir o acesso de todos os cidadãos ao atendimento médico como manda a Constituição.

Daí que imagino que a crise se aprofunda quando instituições como MPE e MPF se ausentam do debate, elas que deveriam estar presentes para manter o equilibrio, impedindo o linchamento público do Governo que sozinho procura evitar o caos.

Sendo da área não me sinto confortável ter que comentar movimentos dessa natureza envolendo a sonegação e omissão de atendimento de pessoas fragilizadas. Comportamento que colide com os princípios mais comezinhos do livrinho de ética médica, para quem o cidadão carente deve ser o alvo primeiro e principal do atendimento médico.

Aprendemos isso na Faculdade, mas pode ser que alguns não lhe deem importância e não prestem atenção a ele em nome do enriquecimento a qualquer custo, que parece o lema dessa turma do Pará que aqui aportou e imagina que sejamos uma terra de eunucos.

É possível que o Programa de Rádio que promoveu o debate também ignore esse dogma médico e não tenha enveredado a questão para o lado mais importante, que é do atendimento do cidadão, esquecido pela clara intenção de insuflar as partes.

Alejandro não deixa de ter direito de evocar para si  importância na construção e modernização da medicina do Amapá ao sonhar com sua estatua diante do Hospital Alberto Lima. Embora deva lembrar ter sido remunerado e bem remunerado para fazer seu trabalho.

Não só pelo Estado, mas fundamentalmente pela sociedade que sempre pagou bem por seu trabalho considerado, por sua natureza e grau de especialização de “alta complexidade”, e como tal situado no topo da pirâmide do atendimento médico, com acesso restrito, por isso bem remunerado.

Aqui mais uma vez quero lembrar Alejandro que sua performance não foi algo solitário. Mesmo por que a construção de um Estado não é tarefa de um ou de poucos,  muito menos se restringe a um setor apenas da sociedade, nesse caso a medicina.

Mesmo no setor médico, a título de contribuição, poderia fornecer ao colega uma lista de médicos que merecem sua estatua também. Que tiveram um papel fundamental na construção do nosso Sistema de Saúde.

Claro,  sem os arroubos e atitudes tresloucadas de hoje, movidas por interesses subalternos, que maculam a imagem do médico e esquecem a figura do cidadão carente, razão de existirmos.

Alberto Lima, por exemplo, tantas vezes homenageado por ser um exemplo de cidadão ponderação e responsabilidade social. E mais: Mário Barbosa, Manoel Amoedo Brasil, Luiz Tancredi, Yaci Alcantara, Euclélia Américo, Robelino Albuquerque, Jocy Furtado, Jose Cabral, Arthur Torrinha, Antonio Telles, Rilton Cruz , Luiz Alberto Dourado, Papaleo Paes e esposa, Mário  Banhos, Jose Roberto e Ivanildes Dias  entre tantos outros cidadãos que trabalharam em suas áreas  e ajudaram, sem dúvida, sem estatua, construir esse Estado.

E não falei ainda da saga dos Nunes: Janary Nunes, Coracy Nunes, Pauxis Nunes, Ivanhoé Martins, Dr.Ildemar Maia, Clemanceu Maia, os Platon, Charles e Clark que nos primórdios ou no curso da nossa história deram o ponta pé inicial para a fundação desse belíssimo Estado.

Estado que alguns imaginam que podem, ao desafiar a ordem constituída, o respeito a autoridade, por preconceito idiota, por interesse medíocres e contrariados,  influir no seu destino, como pensa essa turma do Pará, que sequer sabe que eles existem.

Políticos da verve de João e Janete Capiberibe, Sebastião Rocha, Nelson Salomão, Stephan Houat, Walter Banhos, Jose Serra, Binga Uchoa e por aí afora nunca poderão faltar nessa relação.

Saude é algo muito sério para ter seu destino traçado em reuniões sociais muito menos nas  praças de alimentação de um shopping qualquer, como quer esse tal grupo “do Pará”, de pilequinho ou não.

É bom que se diga também , que a prestação do serviço pelo profissional médico, diferente do que pensa o Presidente do Sindicato, não pode ser reduzida a um caso simples de fiscalização do gestor.

Saiba o Presidente do Sindicato Médico que gestor não é delegado de polícia  para vigiar médico que tem de cumprir sua obrigação  contratual.  E se tudo isso não for suficiente, que seja por uma questão de ética e moral. Não imagino um médico espreitando seu chefe para fugir do plantão. Seria o fim da picada!

 

POUCAS & BOAS

O VOO DE MARILEIA. Ninguém pode negar que Mariléia , Secretaria Municipal de Comunicação é uma boa profissional. Uma jornalista de mão cheia. Na Secom, segundo sei, realizou um trabalho de fôlego, digna de elogios e reconhecimento. Uma unanimidade. Mas faltou uma coisinha: ter pedido para sair quando se definiu pelo voto no atual Prefeito Clécio Vieira que a nomeou para o cargo. Uma questão de ética. Quer queira ou não, como detinha informações privilegiadas, o correto era ter saído antes da campanha e arriscado o pescoço.Pelo sim, pelo não…

CAMISA DEZ. É o caso de Fineas, nosso eclético virtuose da música. A música do institucional do governo, veiculada na telinha , não deixa dúvida. Agora o Walter Jr tem sua alma gêmea. O cara é o cara. E se não bastasse, é bom demais no que pensa, faz e tudo mais. Palmas que ele merece!

O FAZ DE CONTA DE SARNEY. O coronel maranhense continua nos subestimar. Sua fala não merece fé, principalmente aquela cândida, patética e protocolar de fim de ano na TV. Ele que pouco fez pelo Amapá dá entender ter patrocinado tudo na terrinha. Que não é verdade, irmã gêmea da mentira. Fez mais, muito mais pelo Maranhão. Depois é candidato sim ao Senado. Aquela da porta que não existe na política é a senha que até seus ‘muares’, ilustres convivas da sua fazenda,  sabem.

O DRAMA DE CLÉCIO. Até o PSOL já sentiu a “roubada” que se meteu. Não fazem em público, mas nas alcovas reclamam dos “novos” companheiros da Harmonia sentados à direita do novo alcaide. alojados em setores vitais do atendimento da população: saúde [Lucas Barreto] e Educação [ Jorge Amanajas]. Nada, nada serve para avaliar o tamanho do comprometimento do partido com a Direita do Estado, leia-se Sarney. O negócio é tão pesado que a turma do Xô Sarney e arredores, diante da nova realidade e antigo incomodos, calou para sempre.

CLECIO [2]. O rombo da Prefeitura de Macapá esta longe do herdado por Camilo Capiberibe, governador do Estado. Mas guardadas as proporções é significativo. Para limpar a casa Chelala e cia vai ter que contar com o apoio do governo Camilo cujo partido, PSB, como sabemos, foi crucial para a vitória do companheiro de Randolfe. Resta saber em que condições se dará [ ou se deu]  esse acordo. O sonho de Randolfo e sua aliança com a direita deixam claro que aposta ainda na eleição ao governo  em 2014. O mesmo sonho acalentado por Sarney que não vê outra forma de matar os Capiberibe, seus inimigos figadais. Randolfo, no estilo do “chefete” já disse que vai depender muito de como vai estar o governo atual. Ora! Me compra um bode pela sutileza. Fica melhor!

A PRIMEIRA DE CLÉCIO. Quase tive um chilique quando vieram me dizer que a irmã do Prefeito é dona da firma que recebeu para promover a festa de posse do irmão na Oswaldo Cruz, frente a Santa Madre Igreja de São José. Isso é uma estupidez sem tamanho, mesmo que o dinheiro tenha vindo de amigos e particulares, cuja relação a sociedade gostaria de conhecer. Tabelinha desse tipo, proibidas por lei,  chama-se nepotismo, antes um sucesso nos  pés geniais de Pele e Coutinho. O cidadão comum nos seus botões deve imaginar: se é assim com o dinheiro dos amigos, imagine com o publico. Ninguém falou disso. Ainda confio que escorregões como esse serão corrigidos e Clécio vai se livrar dos maus conselhos e fazer tudo certinho.

Por hoje é só.

 

 

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