CURIOSIDADADE DA HISTÓRIA DO AMAPÁ

Do Editor

O deputado federal Janary Gentil Nunes realmente esteve ameaçado de cassação, mas não foi cassado pela ditadura militar de 64, tanto que não aparece na lista dos parlamentares publicada pela Comissão da Verdade, que acaba de devolver mandatos aos deputados cassados pelo regime de exceção.

Nunes, que fôra responsável pela indicação de Terêncio de Mendonça Porto para governar o Amapá, havia declarado apoio ao presidente João Goulart enfrentando restrição por parte dos militares por causa da sua aproximação com  paises da chamada “Cortina de Ferro”.

Percebendo, mais adiante, que não se tratava de uma crise que Goulart pudesse contornar, imaginando que isso poderia redundar na cassação do seu mandato, Janary Nunes teria saído de licença médica no dia 10 de abril de 1964, mobilizando o suplente Dalton Lima.

Algumas fontes dizem que Janary chegou msmo a sair de licença médica, outras dizem que não; certo é que resolveu mudar de lado e passou a apoiar os militares.

Assim, quando o Congresso Nacional foi chamado, dia 11 de abril de 64 para  referendar o nome do general Humberto de Alencar Castelo Branco ao cargo de presidente da república, Janary estava lá para demonstrar de que lado estava.

Além disso o deputado Janary estimulou vários manifestações anti-comunistas em Macapá enquato tentava, a todo custo, uma audiência com Castelo Branco certamente para oficializar seu apoio ao movimento e ao novo presidente.

Consultando os registros históricos da época, vê-se que o ‘repertório’ de Nunes para evitar a cassação, sugerem alguns pesquisadores, incluiu a ‘recomendação’ de Augusto de Azevedo Antunes (ICOMI), o que teria facilitado, enfim, seu encontro com Castelo Branco.

Ainda é bom registrar a realização de manifestações anti-comunistas importantes organizadas no Amapá.

Uma delas foi a “Marcha da Família com Deus pela Liberdade”, realizada no dia 15 de abril na Praça Barão do Rio Branco, com apoio de Janary Nunes, Terêncio Porto e a participação da Igreja Católica. Houve até missa campal rezada por Dom Aristides Piróvano.

No dia 24 de abril, todas as  seitas de protestantes existentes no Amapá se reuniram nas cercanias do Mercado Central, em frente a Fortaleza de São José de Macapá, sob a liderança do pastor Oton Alencar, para repudiar também o comunismo e apoiar o golpe militar de 64.

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