OPINIÃO

Do Editor

Algumas figuras – incluindo gente que acabou de entrar na vida pública do Amapá, insistem na conduta de desafio à lei, ao estado e à sociedade, ignorando uma bolha de melhora ética e moral que sobrevoa os céus do País com a condenação da trupe do mensalão.

É uma minoria que aos poucos vai sendo isolada pelas ações da PF, do MPE, do Ministério Público Federal, pela aplicação da Lei da Transparência e da Lei de Acesso à Informação ou por denuncia dos órgãos de fiscalização e controle ou mesmo por condenação da Justiça.

É o caso do trancamento das 21 ações movidas pelos deputados estaduais contra o promotor Adauto Bezerra, comprometedoramente acolhidas pela Justiça do Amapá. O trancamento foi uma derrota para os deputados e aliados amargando, aliás, outra dissabor: a recusa no STF do HC impetrado por Moisés Souza (PSC) querendo retomar a presidência da ALAP.

Claro que as ações adotadas em conjunto tinham a finalidade de dar uma demonstração de força, de reagir, de pressionar o promotor, de fazê-lo desistir das investigações na ALAP afundada em práticas criminosas que precisavam ser apuradas, o que já vem acontecendo e resultou no afastamento de parlamentares e servidores públicos, procedimento que chegou também ao Tribunal de Contas do Estado.

Foi uma reação muito parecida com a reação do crime organizado quando responde à ocupação do seu território ou perdas de “contingentes” a ele impostas pela força policial nos morros do Rio de Janeiro e nas Favelas de São Paulo. Ainda bem que estancada pelo STJ no caso dos deputados estaduais.

Sobre as facilidades que as demandas dos deputados encontram junto ao Tribunal de Justiça do Amapá, não adianta mais sofismar; logo o CNJ vai chegar nessas facilidades, vai entender porque elas existem, e em que se sustentam, se  na troca de favores entre membros dos dois poderes (nepotismo cruzado), ou por outras coisas também.

Quando se fala em bolha de ética e moral sobrevoado os céus do Brasil, inclua-se a ascensão de Joaquim Barbosa à presidência do STF a nível nacional; a nível local ponha nessa conta a projeção de Ivana Cei (MPE), de Sueli Pime no TJAP, de Raimundo Valles no TRE, a retomada do manato de João Capiberibe, a eleição de Randolfe Rodrigues para o senado e de Camilo Capiberibe para o Governo do Amapá.

Claro que não tem sido fácil a luta contra os senhores da ALAP, seu apetite pelos recursos do orçamento, saudosos de um tempo em que podia ter caixa preta no serviço público, sonhando em virar o jogo, o que chegou a acontecer no primeiro turno das eleições deste ano e esteve por acontecer no segundo turno.

Felizmente os azuis da harmonia dos poderes foram rechaçados nas urnas aos 45 minutos do segundo tempo pela união das forças construtivas da nossa política, que pensaram no povo, baixaram as armas, construíram um caminho contornando o charco de um retrocesso indesejável, que seria a vitória de Roberto Goés.

As eleições municipais, diga-se de passagem, ofereceram lições exemplares a quem se dispõe aprender com a política, e isso mudou o rumo da disputa em Macapá, para falar apenas na eleição para prefeito da capital amapaense. Foram tão ricas as experiências vividas que isso não só reescreveu a história do pleito, mas está unindo os políticos bem intencionados sobre o que resta de uma cidade sem prefeito e um estado precisando da união da sua classe política.

E agora vejo que sobre as lições aprendidas, o Governador Camilo e o senador Randolfe Rodrigues se unem para liderar a reação da sociedade aos entraves, às ameaças, às condutas subterrâneas e criminosas que tentam impedir o governo de avançar e a sociedade de viver um novo tempo.

O encontro dos políticos de boa cepa na caminhada sobre a Norte/Sul em obra, na sexta-feira (7/12), foi uma demonstração de que é possível a união da classe política em torno dos  interesses do Amapá, sem ressentimentos, sem a carranca dos maus perdedores.

Ao apelo de união, ao encontro da esperança, entretanto, faltou o Presidente do Senado, José Sarney, uma ausência injustificável pelo tanto que nos deve, pela posição que ocupa e tudo que poderia fazer (e pode fazer!) pelo povo que alentou sua vida pública com mais de duas décadas de poder.

Vejo então que  a “força-tarefa” desfalcada de Sarney, convocada por Randolfe e Camilo, vai ter que correr atrás do prejuízo…Obter sinal verde da ANAC para a conclusão do último trecho da Norte/Sul,  sensibilizar os deputados estaduais a evitarem a caducidade da CEA, algo nada comparável, entretanto, a necessidade de negociar alterações no projeto de lei que muda as regras do FPE e desfalca em 500 milhões de reais a receita do Estado a partir de 2013!

 

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