CRÔNICA

DOMINGO, NA BANCA DO DORIMAR…

 João Silva

Todos os domingos convergem para a Praça Veiga Cabral, ponto onde fica a Banca do Dorimar, o que chamo de representantes das diversas correntes de opinião do Estado – ou todas as tribos tucuju, cada uma com seu ponto de vista sobre o escândalo da hora. É gente que vai lá para adquiri cultura, informação e conversar.

Línguas boas e ferinas em um lugar em que isso é um milagre, dizem em consenso  que a Banca do Dorimar é o ponto chique da conversa sem compromisso, lugar onde o protesto é livre, “desde que civilizado”, lembra o dono da banca para que não se alegue ignorância.

É o jeito cordial de “avisar” aos navegantes que a crítica exacerbada incomoda, já que em lugares assim o governo padece, e o governo, não por acaso, continua sendo o maior patrão e a maior vidraça do Amapá.

Em cinco minutinhos, no máximo, um bajulador de plantão, se quisesse, poderia atravessar a Cândido Mendes para entregar um linguarudo aos ocupantes da residência oficial, ali pertinho – concorda?

Parece fácil, mas como lidar com pessoas vivendo numa cidade onde tudo ou quase tudo ainda depende da economia do contra cheque, reunidas momentaneamente numa banca de revista, ou entrando e saindo nela?

É uma dor de cabeça e tanto para o dono, mas creio que o essencial é manter a freguesia em paz, bem atendida, seja anônima ou não, aliada ou não, inimiga ou não do governo – e isso o Dorimar faz todo santo dia sem perder a classe.

Achando moleza? Mas se de repente se acirrasse uma discussão naquele cenário das manchetes produzidas pela pequena e grande mídias, que você faria se estivesse no lugar do dono da banca? Meteria seu bedelho na conversa ou silenciaria para sempre?

Nada que assuste a um vigiense que atravessou muitas eleições, sobreviveu a muitos governos, inclusive àqueles do golpe militar de 64, e aprendeu com as dificuldades e o tempo. A sacada do “Dórico” é não perder a esportiva, voltar para casa todos os dias são e salvo de penoso exercício, mas necessário para garantir o leite das crianças, no que velho amigo melhorou muito nos últimos anos.

É um caso a pensar, por que ali naquela tribuna à sombra da mangueira mais frondosa  do antigo Largo de São Sebastião, falar é essencial, divergir é essencial, e todos falam e divergem: políticos, jornalistas, esportistas, profissionais liberais ou não, indivíduos das mais variadas tendências, ligadas ou não às instituições mais importantes do Estado…Até o Zé Povinho vai lá aos domingos meter sua colher enferrujada no bate papo dos honoráveis, e daí?!

Uns prós, ou sempre foram, outros contra, ou sempre foram; há quem prefira a visita curta depois de uma boa discussão; boa parte na verdade se identifica e gosta de ficar ali aos domingos, onde  concentra por algumas horas parte da massa crítica de Macapá.

Certo é que na esquina da Presidente Vargas com a Cândido Mendes também pode “germinar” uma boa amizade, pode se conversar sobre coisa construtiva, aprender um pouco da história do Amapá, adquiri os sons de Amadeu, Patrícia, Osmar, Grupo Pilão, Joãosinho Gomes, Val Milhomem, Negro de Nós e Zé Miguel, que, picado pela mosca azul da política tucuju, virou secretário de governo.

Vou ao Dorimar não só pra me informar, não só pra reencontrar amigos, mas também para “saborear” as histórias pitorescas contadas por gente que sabe irromper no peito dos outros uma boa gargalhada, para não esquecer que acaba de abrir mais uma temporada de “causos” que movimentaram a república dos estudantes amapaenses em Belém do Pará, na década de 70.

Claro que detesto a idéia de faltar a um encontro com amigos na Banca do Dorimar dia de domingo querendo Deus! Nos últimos anos poucas vezes tive que abrir mão desse prazer; eu descobri que o lugar acrescenta, melhora a auto estima, faz bem ao coração, além de “adubar” velhas e novas amizades; eu mesmo fiz novos amigos, estou satisfeito com meus novos amigos e creio que a recíproca é verdadeira.

Faz o seguinte: domingo que vem, depois da missa e do desjejum passa no Dorimar, vai conhecer grande tricolor, torcedor do São José e do Fluminense, vigiense que chegou à Macapá em maio de 1955, e só ali naquele cantinho de praça já tem 35 anos de bons serviços prestados ao povo do Amapá.

A Banca do Dorimar não tem contra indicação…É um espaço democrático, lugar dos amigos e da divergência civilizada, da informação e da conversa boa…Agente se vê por lá…Experimenta e depois me conta (joaosilva.ap@uol.com.br).

 

 

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s