IMPRESSÕES

 

 

 

GELEIA GERAL

Rupsilva

Provavelmente não vai faltar quem jure de pés juntos que a vitória de Clécio Vieira [PSOL] já estava escrita nas estrelas desde antes do big bang. E que a participação do PSB seria inócua, em nada mudaria o resultado que levou o psolista ao Palácio Laurindo Banha, sede da Prefeitura Municipal de Macapá.

Por mais que queiramos ou não admitir, parte significativa da harmonia esteve presente na base de apoio de Clécio Vieira no 1º turno, levando-o ao desempenho espetacular a ponto de desbancar Cristina Almeida  considerada, na iminência de um segundo turno, a mais provável adversária de Roberto Góes [PDT] ,reproduzindo uma rotina que se arrastava por muitas eleições.

Esse arranjo foi a última criação de Sarney, o alquimista da harmonia, que parecia interessante por matar dois coelhos de uma só cajadada, como diria minha mãe. Tese que venho defendendo há anos e infelizmente pouco ouvido. Ela aniquilaria de vez o PSB dos “indefectíveis” Capiberibe e reconduziria a perniciosa harmonia de volta ao poder sem qualquer derramamento de sangue.

Era a coroação de uma manobra política digna de qualquer colonizador candidato a ditador do arraial, cujo ponto inicial deu-se em 2010 com a eleição de Randolfe ao Senado, embora já estivesse fervilhando nos laboratórios do submundo há muito tempo.

Mesmo sabendo do risco o PSB entregou-se como nunca a vitoria de Clécio Vieira na esperança de trazer o PSOL de volta  ao ninho antigo. E como acontecera na eleição de Waldez [PDT] em 2002, pegou pesado, trocando o discurso pela atitude, pela ação, que deu nisso, que foi a eleição de Clécio Vieira, tal como acontecera a Waldez naquela eleição.

Tomo minha mulher como exemplo padrão. Apesar de conhecer de sobra minha restrição ao PSOL por sua insensibilidade política e adesão à direita, como todo o PSB, vestiu a camisa, saiu à luta, numa prova de despreendimento que nunca vira antes, confesso.

Todas as lideranças do partido foram acionadas. Sob o comando determinado da Deputada Janete caíram em campo, fecharam “bocas de urnas”, vasculharam as baixadas, se mandaram para a zona rural numa postura digna de quem se preocupa com a sorte da cidade e do Estado.

E Clécio foi correto, republicano, despido de qualquer ranço, jogou os fantasmas para o limbo e produziu um discurso memorável de reconhecimento. O fez por saber – o que muitos vão negar, da importância do PSB na definição do resultado. Muito além do seu colega e líder Randolfe, provavelmente recalcitrante em romper suas amarras e dependências.

Não terminaria sem fazer o justo registro da conduta do governador Camilo, na mea culpa à derrota da sua Candidata, Cristina Almeida, cuja atitude em apoiar Clécio foi de uma grandeza sem igual , algo fora do alcance daqueles bostinhas preconceituosos frequentadores de Twitters, blogs e sites com cara de coluna social.

Camilo foi grandessíssimo no seu discurso na Zagury,algo de arrepiar: sincero, íntegro que não deixa nenhuma dúvida ser ele o melhor caminho para  redenção do Amapá. Ele junto com jovens psolistas e amapaenses sinceros que fazem política com grandeza, focados no Amapá do futuro, livre da corrupção epidêmica que nos atrasa e infelicita de algum tempo pra cá.

Senti um forte alívio em todos ao final da contagem dos votos que consagrou a vitoria do jovem PSOL. Que é um bom sinal. Quanto a festa, a euforia da vitória, tudo bem, afinal somos de carne e osso e uma fabrica de adrenalina e emoções.

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POUCAS & BOAS

GRITARIA GERAL. Acordei debaixo de uma grita generalizada. Choveu telefonemas, mensagens e e-meils  reclamando de uma fala do vitorioso Clécio Vieira no G1 da GLOBO. Nela afirmava que buscaria com Roberto Góes ajuda e orientação administrativa para governar Macapá. Será ? Lapso linguístico ou não, Clécio certamente explicará se falava sério ou estaria gozando seu adversário já considerado um dos piores governos de nossa jovem democracia.Talvez pior que aquele do “Macapá vai brilhar”.

A CONFUSÃO ESTÁ FORMADA. Não sei como se dará a acomodação das diversas alianças que levaram Clécio a Prefeitura de Macapá, como sabemos. De um lado Lucas [já lançado] candidato do PTB ao governo do Estado; Davi Alcolumbre que sonha ser Senador ainda que não tenha vencido seu estágio probatório na Câmara Federal, precisando melhorar sua atuação; Jorge Amanajás à Deputado Federal [precisa proteger-se dos pepinos que terá que responder por sua gestão na ALAP], Evandro Milhomem [Deputado Federal] Idem, Seabra [PTB], e por aí afora.

MAIS CONFUSÃO. O caso de Marcivânia e Nogueira, orquestrado por Sarney em Santana, nosso segundo maior colégio eleitoral, é outro imbróglio que o PSOL terá que destrinchar, para ficar em paz com sua consciência, já que ajudou a montar a trama.Óbvio que tudo isso bate de frente com interesses do PSB e PT, membros permanentes da esquerda amapaense e que realizam, no momento, um governo de salvação do Amapá.Tudo isso resulta de um desejo desvairado de se  chegar ao poder atalhando o caminho. A boa política é mais razão que emoção.Sentimento que não pode faltar, é verdade, mas que não pode ser preponderante.

 

Por hoje é só.

E-mail : rupsilva_ap@hotamail.com.br

 

 

 

 

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