PRODUTORES DE ALEVINOS E OS BENFICIOS DA TECNOLOGIA

foto: Jeferson Cristofoletti

foto: Jeferson Cristofoletti

Ao adquirir um reprodutor bovino, o pecuarista tem acesso a toda linhagem do animal e o desempenho de suas gerações anteriores. Isso permite o controle da qualidade do plantel e o melhoramento genético baseado nas características das matrizes. O mesmo não acontece com a criação de peixes, pois os piscicultores não costumam ter o controle dos animais que estão nos tanques.

A comparação é do geneticista Anderson Alves, pesquisador da Embrapa Pesca e Aquicultura, que abriu o “Treinamento técnico em genética e manejo de reprodutores de peixes nativos”, no sábado, dia 20 de outubro, na Fazenda São Paulo de alevinos, em Brejinho de Nazaré (TO), a 110 km de Palmas.

“O primeiro passo para controlar a produção é identificar cada animal”, explicou Alves para os mais de 40 produtores de alevinos dos estados de Goiás, Maranhão, Pará, Rondônia e Tocantins que participaram do treinamento, que ainda contou com a presença de dez técnicos rurais.

A identificação dos peixes deve ser feita por dispositivos que possam ser fixados de maneira permanente nos animais. Um dos mais confiáveis são os chamados “tags”, pequenas cápsulas eletrônicas que são injetadas por meio de uma seringa no músculo do animal. Cada tag vem com um número de série único que é lido ao se passar um escâner sobre a pele do peixe. “Esse sistema equivale aos brincos numéricos que são colocados nos bovinos”, comparou o pesquisador da Embrapa.

Após a identificação, é preciso traçar o perfil genético do animal numerado. Isso se dá por meio da análise de DNA executada em um tecido retirado do peixe. No treinamento, os participantes aprenderam a retirar um pequeno pedaço da nadadeira caudal dos animais, a região preserva a integridade do peixe e não provoca sofrimento ao animal, segundo apresentou Alves.

O conhecimento do perfil genético do plantel permite a escolha dos melhores cruzamentos, evitando-se cruzar peixes com grau de parentesco muito próximo. “Os cruzamentos consanguíneos aumentam a possibilidade de se obter descendentes com problemas genéticos como má formação, suscetibilidade a doenças e baixa produtividade”, apresentou o especialista.

Por outro lado, o mapeamento genético dos peixes também permite um controle de qualidade maior, a identificação dos melhores reprodutores além da manutenção e da melhoria dos lotes vendidos, o que se traduz em aumento da produtividade e dos lucros.

Alves anunciou que a Embrapa está iniciando um programa de variabilidade genética de peixes o que dará um panorama genético das principais espécies nativas brasileiras. O acervo possibilitará o levantamento de informações como a proporção encontrada entre exemplares puros e híbridos e as diferenças e semelhanças genéticas dos animais encontrados nas pisciculturas e nas principais bacias hidrográficas brasileiras.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s