CRÔNICA

O CRIME DO COLAR DE LUZ

João Silva

Deslumbramento é o que ocorre a quem olha nossa cidade lá de longe, de algum ponto do Rio Amazonas, privilégio dos turistas, dos viajantes das Ilhas do Pará, rotina dos tripulantes dos navios que levam pelos mares as riquezas do Amapá!

Para um filho de Deus viajando a noite na imensidão do rio-mar, de uns tempos prá cá, não tem como não enxergar a cidade iluminada por enorme colar de luz, um presente dos filhos amorosos no dia do seu aniversário.

É, mas filhos ingratos existem, para falar de individuos que na calada da noite, surrupiaram ou destruiram  parte de belo adorno, apagando um pouco a imagem da cabocla faceira contemplando a baia de Macapá!

E ficou por isso mesmo, parece, já que parte da “jóia” roubada por uns, dstruida por outros, não foi recolocada no devido lugar, optando-se pela instalação de outro tipo de iluminação (postes do tipo trevo dotado de quatro potentes luminárias).

O poder público perdeu e o vandalismo tirou um pouco do charme da nossa cidade. Ninguém apostou na educação, no policiamento, na conscientização, na preservação daquilo que fora dado com amor ao lugar em que vivemos.

Pior é que não havia a quem se queixar ao término de um governo e início de outro! Eu mesmo vi o lugar agredido pela insensibilidade de pessoas que acolhemos com a generosidade que Mãe Luzia nos ensinou.

Fora isso, os cidadãos de Macapá têm o direito de ver sua cidade crescer, iluminar-se e ficar bonita. Mas há quem se aproveite da preguiça e pouco caso dos governantes para emporcalhar, inutilizar e desconstruir o que vai encontrando pelo caminho.

A semi-escuridão a que foi largado ao apagar das luzes do governo Waldez tornou hostil um lugar planejado para o prazer do homem urbano na sua relação com o rio, com a história, e a natureza que o cerca.

As obras de paisagismo trouxeram a comunidade para próximo da fortaleza de um povo, mas o povo não foi preparado para essa convivência, tem razão velho amigo.

Sem a cara do poder público por perto, sem campanha de esclarecimento nenhuma, sem regras de civilidade, tudo se rouba e se inutiliza.

As luminárias do majestoso colar de luz, os bebedouros, os jardins, as placas indicativas, os paredões do velho forte, tudo se picha, se agride e se destrói; nada escapa a sanha dos agressores sem rosto, mas que existem.Para completar, parte do muro de arrimo veio abaixo.

E tudo ali diante da famosa autoridade competente que enxerga, mas não quer ser incomodada, não quer incomodar ninguém; prefere ficar na sua como se aquela agressão não fosse contra o lugar em que mora, em que vivem seus filhos e a sua família.

Claro que o colar de luz contornando a fortaleza e os novos quiosques, até chegar ao trapiche Eliezer Levy, deu um jeito gracioso a cabocla de vestido de chita que inspirou a poetisa Aracy no seu famoso poema; foi aí que a mão do homem esculpiu o rosto da cidade moderna dos dias de hoje, infelizmente atacada por vândalos intermitentes!

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