O PAPEL DAS BIBLIOTECAS PUBLICAS NESTE SÉCULO

Novo olhar passa pela construção de um espaço multicultural e de integração

O sentido das bibliotecas como templo do saber baseado nos livros vem se transformando ao longo dos anos e, com o advento das novas tecnologias, assume um papel de espaço multicultural e polifacetado, que integre, comunique, resguarde e promova discussões e ações diversas.

Esse novo olhar sobre o papel da biblioteca na sociedade, entre outras temáticas, foi discutido no 18º Encontro dos Sistemas Estaduais de Bibliotecas Públicas, promovido pelo Sistema Nacional de Bibliotecas Públicas, no Rio de Janeiro, entre os dias 24 e 28 de setembro. A gerente da Elcy Lacerda, Lulih Rojanski, esteve lá e voltou esta semana a Macapá cheia de incentivo para inserir no Amapá às novas referências.

“Não há mais como parar o mundo, o processo de revolução tecnológica já é legítimo e a forma como o conhecimento deve ser compartilhado, ensinado, tem de ser pensado dentro desse processo pluricultural. Hoje trabalhamos cercados de novas e inúmeras redes de comunicação, informatização, dinâmica, troca, interatividade, rapidez, enfim, tudo é multi, e as pessoas devem ser estimuladas a pensar multi”, diz Lulih.

Ela conta que o evento contou com debates, palestras, rodadas de discussões e visitas a centros e bibliotecas. Porém, o momento marcante, que mais prendeu a atenção da gerente amapaense, foi ter conhecido a Biblioteca da Rocinha, maior favela carioca.

“Nossa, aquilo é um mundo. A biblioteca lotada de crianças e a efervescência cultural transpirando para todos os lados, com rodas de capoeira, salas de exibição de filmes, cabines de acesso a filmes, documentos e livros digitalizados, teatro, contação de histórias, a criançada com acesso livre às prateleiras dos livros”, descreve, empolgada.

Lulih Rojanski sabe que o processo de reformulação é um trabalho para médio ou longo prazo, mas já planeja mudanças, considerando as perspectivas de inclusão, inovação, democratização do acesso ao conhecimento.

“A Elcy Lacerda já promove, todas as quartas-feiras, o projeto de contação de histórias ‘Era uma Vez’. Trabalhamos diretamente com as escolas, que agendam conosco voluntariamente. A criançada adora e, após a peça, as levamos para conhecer espaços atrativos, como sala afroindígena, a infanto-juvenil, o cantinho da Elcy, do Alcy Araújo, e elas ficam encantadas, folheiam os livros e as obras maravilhadas. Agora, penso em potencializar essa integração, mas para isso precisamos investir em novas tecnologias, em inclusão digital. Além disso, a Elcy Lacerda se propõe a estreitar relações com os escritores, que têm nesse espaço um local para lançar suas obras, conversar com o leitor e expor seus trabalhos”.

A ideia é transformar a Biblioteca em um centro de várias linguagens e atividades. Dessa forma, em breve, a Biblioteca Pública Estadual Elcy Lacerda movimentará uma Gibiteca, começará a exibir filmes no Auditório, reformulará seu sistema de acesso ao acervo e já vem promovendo encontros de escritores com leitores. No próximo dia 10 tem encontro com a escritora Alcinéa Cavalcante e dia 24 tem encontro com o escritor Rogério Andrade Barbosa.

“Será um trabalho puxado, mas bastante revigorante. Claro que existem espaços os quais os livros de forma alguma podem ser manuseados desordenadamente, que devem ter o auxílio de um profissional, mas espaços direcionados às crianças, por exemplo, a ideia é deixá-las livres para se deliciar com as histórias, com o saber”, conclui Lulih Rojanski.

Rita Torrinha/Secult

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s