CRÔNICA

EDVAR MOTA, UMA VIDA DEDICADA AO RÁDIO

 João Silva

Nascido na Avenida José Antônio Siqueira, centro velho de Macapá, próximo ao prédio da Intendência, Francisco Edvar do Espírito Santo Mota – o Edvar Mota, 68 anos de idade, 46 de rádio, vozerão que Deus lhe deu, assumiu de vez o posto de decano dos radialistas do Amapá, portanto alguém cuja história precisa ser olhada com  admiração e respeito por parte de todos nós.

O rádio, na vida do Edvar Mota, é a paixão que ficou para sempre – e tem durado! Ele está em forma, felizmente parece que vai longe, tal o entusiasmo que o leva adiante, para algum lugar no futuro cada vez mais longe daquele dia em que começou sua carreira, dois anos depois que a Rádio Difusora de Macapá entrou no ar, em setembro de 1946.

Contado por ele mesmo, passou parte da sua infância e adolescência percorrendo o auditório, salas e corredores da RDM nos bons tempos do “Clube do Guri”, das batalhas de confete, da novela no rádio e das personalidades que encantavam o público, como Edna Luz, Reinaldo Farah, Joíra Tavares, Creusa Bordallo, Ligia Cruz, Agostinho Souza, L. Coimbra, José Maria de Barros.

Deixar a emoção soltar a voz nas ondas do rádio, caprichar na pronúncia, botar clareza e competência na transmissão da notícia, foi uma opção feita por quem vivia o ambiente da RDM, e acreditava que a comunicação social podia operar transformações  na vida de uma cidade, no dia-a-dia das pessoas em um lugar como o Território Federal do Amapá, 60 anos atrás.

Entrou para a Rádio Difusora aos 15 anos de idade, em 1958, como aprendiz de operador de áudio sob a batuta de Ivaldo Veras; daí para o “buca de ferro” foi um salto; aos 18anos, contratado como locutor, já aparecia ao lado de outras lendas do rádio amapaense, como Benedito de Andrade Franco, Júlio Salles, Pedro Afonso da Silveira, Agostinho Souza, Amazonas Tapajós e José Maria de Barros.

Edvar leu textos de profissionais da extirpe de Alcy Araújo, Hélio Penafort, Ezequias Ribeiro de Assis, Carlos Cordeiro Gomes, Artur Nery e Hernany Marinho, redatores lotados no Gabinete do Governador que, entre outras tarefas, tinha a incumbência de preparar  “O Grande Jornal Falado E-2”, noticiário chapa branca que atravessou várias administrações, inclusive de todos os governadores da Revolução de 64.

Com a modernização que a tecnologia impôs ao rádio, ficou difícil para um locutor à moda antiga, voz de trovão tipo Cid Moreira, continuar fazendo sucesso; como superar ou se integrar aos modismos, ao rádio FM chegando com força total? O Edvar optou em se adaptar aos novos tempos – desistir do rádio jamais!

Aí surgiu “A Grande Seresta”, que vai ao ar todos os sábados à noite, e já corre 21 anos de estrada, depois de peregrinar por quase todas as emissoras de rádio do Amapá; voltou a integrar a programação da Rádio Difusora de Macapá onde estreou em fevereiro de 1987; o sucesso, a longevidade do programa tem a ver com o bom gosto musical (Sílvio Caldas, Nelson Gonçalves, Vicente Celestino, Pixinguinha, Ataulfo Alves, entre outros).

Num primeiro instante “A Grande Seresta” viveu grande fase com a promoção da prata da casa, atraída pela verve do radialista, pela sua competência naquilo que faz, não bastasse acervo de mais de cinco mil músicas catalogadas em sua discoteca particular. Nonato Leal com seu violão enluarado é uma das principais atrações do programa ao lado do Edvar Mota, animando as noites de sábado do povo amapaense.

Verdade é que o decano do rádio tucuju vai escapando, amealhando algum tocando seresta, fazendo publicidade, trabalhando naquilo que gosta de fazer, ele que é figura obrigatória nas campanhas políticas, para pinçar coisa do tempo em que o governador Barcelos tentava sufocar a candidatura de jovem amapaense a deputado federal, bote tempo (“O bom cabrito não berra, vote em Paulo Guerra!”).

Certo é que um reconhecimento aqui, outro acolá, vai fazendo a diferença; o último foi que “A Grande Seresta” virou tema do trabalho de conclusão de curso da primeira turma de jornalismo formada no Amapá. Claro que o Edvar  merece isso, e muito mais que isso.

 

 * Crônica publicada em 2006, portanto bem antes da morte do radialista Edvar Mota.

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