A FALTA DE CREDIBILIDADE DAS PESQUISAS ELEITORAIS NO BRASIL

Do Editor

Leiam abaixo nota do blog do jornalista Reinaldo Azevedo sobre imbroglio criado pelo tracking (pesquisa por telefone)  beneficiando Fernando Haddad (PT/SP), que teria virado pra cima de José Serra (PSDB), colocando 1 ponto percentual a frente do tucano na disputa pela Prefeitura Municipal de São Paulo. A informação teria vazado do tracking do próprio PSDB, reproduzida em pesquisa do IBOPE ainda por ser publicada; certo é que outros institutos de pesquisa garantem que José Serra continua 7 pontos a frente do petista. Leia o comentário de Reinaldo Azevedo sobre a tramoia que lança mais uma sombra de dúvida sobre a credibilidade das pesquisas eleitorais no Brasil.

SP e uma tramoia no ar – Números do Ibope circulavam desde ontem; suposta fonte misteriosa do PSDB ligou para colunistas garantindo que “tracking” do PSDB dava a virada de Haddad; a informação era falsa

Eu não costumo, vocês sabem, desqualificar pesquisas eleitorais. Não levo a sério, vocês também sabem, as do Vox Populi. A razão é simples: Marcos Coimbra, o dono do instituto, é uma espécie de funcionário do PT faz tempo. É uma das personagens do Capítulo III da denúncia do mensalão, diga-se. Não foi denunciado. Agora ao ponto.

O Ibope divulgou hoje uma pesquisa sobre as eleições em São Paulo. Em relação ao levantamento do instituto do dia 14, Serra oscilou de 19% para 17%, e Haddad teria passado de 15% para 18%. Ambos estariam empatados. Celso Russomanno (PRB) teria oscilado de 35% para 34%. Gabriel Chalita (PMDB) aparece com 7%, e Soninha (PPS), com 4%.

Muito bem! Agora vamos aos fatos que antecederam a divulgação desse número.

Ontem, fui à Livraria Cultura da Paulista, ao lançamento do belo livro de fotografias (Editora Cosacnaify) da cidade de São Paulo feitas por Andréa Matarazzo (PSDB), meu candidato a vereador. Pois bem.

Fato um
Esses números do Ibope estavam circulando por lá. Muita gente vinha me perguntar: “Está sabendo que o Ibope vai dar o Haddad um ponto na frente?” E eu para encompridar a conversa: “Ué, mas já divulgaram hoje? Não vi nada!” E lá vinha resposta: “Não, é que não sei quem ficou sabendo…). De “não sei quem” em “não sei quem”, cheguei à origem do boato e descobri que se tratava de alguém, um publicitário, enfronhadíssimo em… campanhas eleitorais.

Fato dois
“Está sabendo que o tracking (pesquisa telefônica diária) do PSDB está dando o Haddad na frente?”, perguntavam. Mais uma duas ou três conversas, e fiquei sabendo que uma suposta “fonte abalizadíssima da campanha de Serra” havia passado essa informação para, atenção!,  cinco colunistas. Não para um. Não para dois. Não para três. Não para quatro. Mas para cinco! Fato: o tracking do PSDB continua a apontar Serra na frente e por uma vantagem de sete pontos percentuais.

O que temos
Assim, o que temos? A pesquisa do Ibope não tinha sido divulgada ainda, e o resultado, preciso!, já estava na praça. Ele foi antecedido, diga-se, de uma “pesquisa” do Vox Populi indicando o empate do tucano e do petista em 17%. Endossando o número, estaria o tracking do PSDB, informação mentirosa.

Reta final
Há sempre a expectativa de que pesquisas, na reta final, se transformem em profecias que se autocumpram. Notem que é o primeiro levantamento a dar Haddad numericamente na frente, ainda que apenas um ponto. Os petistas estarão, a partir de amanhã, a falar de uma suposta virada. Se houve vazamento do Ibope, se tudo não passou de coincidência, não sei nada disso. Conto os fatos como eles são.

Na véspera do primeiro turno da eleição de 2010, todos os institutos erraram. O de Marcos Coimbra, claro!, errou muito mais. O Datafolha, mais perto da realidade, dava a Dilma 50% dos votos válidos no dia do pleito. Ela obteve 47,6% — fora da margem de erro. O Sensus via a candidata com 54,7% dos válidos. Para o Vox Populi, a petista estava 12 pontos à frente da soma dos adversários. No dia 29 de outubro, o Ibope atribuía a Dilma 55% dos votos válidos — 7,4 pontos a mais do que ela conseguiu.

Uma maquinaria fabulosa foi posta em ação para fazer a previsão se cumprir. Dilma venceu o segundo turno, sim! Mas teve de disputá-lo.

Estou aqui afirmando que o Ibope fez tramoia? Não! Se tivesse a certeza, diria. Estou apenas contando em que contexto surgem esses números. Muitas pessoas que estiveram ontem na Livraria Cultura e muitos jornalistas de política de São Paulo sabem que o relato acima é absolutamente verdadeiro.

Por Reinaldo Azevedo

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