OPOSIÇÃO VAI ESPERAR FIM DO JULGAMENTO DO MENSALÃO PARA PROCESSAR LULA

Senador José Agripino Maia (DEM) concordou com o adiamento da representação contra Lula.

GABRIELA GUERREIRO
DE BRASÍLIA

A oposição recuou da decisão de ingressar com representação contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Ministério Público por suspeita de chefiar o esquema do mensalão.

DEM, PSDB e PPS decidiram esperar o fim do julgamento do processo do mensalão pelo STF (Supremo Tribunal Federal) para cobrar investigações da Procuradoria Geral da República.

“A oposição fará a sua parte e encerrado o julgamento em curso no STF cobrará a investigação dos fatos ao Ministério Público”, diz nota divulgada pelos presidentes dos três partidos, Sérgio Guerra (PSDB), José Agripino Maia (DEM) e Roberto Freire (PPS).

Eles justificaram o recuo ao afirmar que uma representação poderia paralisar ou atrasar o julgamento do mensalão –uma vez que abriria brechas para questionamentos das defesas dos réus.

“O Ministério Público não quer criar fato algum que possa ser utilizado durante o julgamento do mensalão no STF. Não quer criar impasse, não quer trazer a baila fatos que possam ser explorados juridicamente. Por isso a oposição decide que aguarda o julgamento do mensalão para que possa depois, então, protocolar a representação”, disse o líder do PSDB no Senado, Álvaro Dias (PR).

O PSDB chegou a elaborar minuta de representação contra o ex-presidente com o objetivo de investigar sua participação no esquema do mensalão.

A decisão veio depois que a revista “Veja” publicou reportagem em que atribui ao publicitário Marcos Valério, operador do mensalão, a revelação de que Lula era o “chefe” do esquema e teria desviado, segundo a revista, R$ 350 milhões.

Na nota, os oposicionistas cobram que o ex-presidente se explique publicamente sobre denúncia publicada da revista “Veja” de que Lula era chefe do esquema de compra de votos no Congresso Nacional.

“Estranhamos o silêncio ensurdecedor do ex-presidente Lula, que deveria ser o maior interessado em prestar esclarecimentos sobre fatos que o envolvem diretamente. Já não surte mais efeito, especialmente depois que o Supremo Tribunal Federal comprovou a existência do mensalão e já condena mensaleiros, a tese defendida pelo PT, de que tudo não passava de uma farsa montada pela imprensa e pela oposição para derrubar o governo Lula”, afirmam os presidentes dos partidos na nota.

Segundo os oposicionistas, mesmo fora do governo, Lula não pode se “eximir das responsabilidades” de atos cometidos durante a sua gestão na Presidência da República. “Ainda mais quando há suspeitas que pesam sobre o seu comportamento no maior escândalo de corrupção da história da República”, diz a nota.

Durante a CPI (2005-2006) que investigou o mensalão, a oposição não incluiu o então presidente Lula entre os alvos.

Quando o publicitário Duda Mendonça disse ter recebido R$ 25 milhões pela campanha do petista em conta no exterior se cogitou investigar Lula, o que poderia redundar num processo de impeachment se a participação dele no esquema fosse comprovada.

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