O GOLPE DE 64 E A CENSURA À IMPRENSA DO AMAPÁ

Do Editor

A crônica publicada no domingo (16/09) sobre emérito professor Antônio Munhoz Lopes envolvido nos fatos que  redundaram na censura à imprensa do Amapá, decretada pelo golpe militar de 64, foi escrita sem a pretensão de uma pesquisa sobre período agitado da vida política e administrativa do ex-Território Federal do Amapá ainda precisandso ser devidamente esclarecido.

Mesmo assim, o texto despertou interesse de ilustre testemunha dos fatos, de alguém que militou na resistência aos militares, o jornalista Ernani Marinho, que citou alguns equívocos e a imprecisão das fontes – e as mais grotescas já foram corrigidas, caso do pioneiro Leonel Nascimento, que nunca foi presidente da Associação Amapaense de Imprensa. O presidente da AAI na época em que foi decretada a censura à imprensa local era o professor e jornalista  Paulo Conrado, outro pioneiro do Amapá, este já falecido.

Leiam, portanto, mais algumas considerações feitas pelo experiente jornalista sobre a questão da censura no Amapá, incluindo os reparos que se fazem necessários; e veja o que ele diz sobre a participação do delegado de policia Antônio Munhoz Lopes nos fatos que levaram várias lideranças políticas e estudantis à passar alguns dias na masmorra da Fortaleza de São José de Macapá.

Caro João,
Há, na tua cronica sobre a censura na imprensa amapaense, alguns equivocos, decorrentes, creio eu, da imprecisão das fontes.
A censura foi estabelecida antes da chegada ao Amapá do Gen Luiz Mendes da Silva,  primeiro governador da revolução. Foi decretada pelo Cel Terencio Porto, governador indicado por Janary Nunes. Deu-se num período em que a dupla Terencio/Janary tentava negar João Goulart, de quem eram aliados, e vestir a camisa da revolução. Nesse período (entre a data do golpe e da demissão do Terencio) vários amapaenses que militavam na imprensa e que eram anti-janaristas, foram presos, inclusive eu, em 04.04.64, assim como Elfredo Tavora, Amaury Farias, José Araguarino Mont’ Alverne, etc. Não tiveram coragem, como era seu desejo, de prender D. Aristides e Pe. Jorge Basile.
A Associação Amapaense de Imprensa era um reduto Janary/Terencio, presidida por Paulo Conrado Bezerra, redator-chefe do jornal Mensagem do Amapá, pertencente a Janary Nunes. E o presidente Paulo Conrado indicou ao Terencio o jovem advogado e professor Antonio Munhoz Lopes, colunista do jornal e  janarista convicto, para a missão de censor. E essa é uma mancha na biografia do Munhoz, principalmente porque descontentou os dois lados: o dos jornalistas de A Voz Católica e da Folha do Povo e a do governo da época, principalmente por ter permitido que o Pe. Jorge  publicasse na Voz Católica o decreto de nomeação do censor e a impressão, em negrito, no alto das páginas, da expressão: “edição censurada¨.
E o nosso Leonel Nascimento, ex-prefeito do Amapá, pioneiro na construção de estradas como funcionário da Divisão de Obras, como apareceu nessa história ?
É o que me ocorre no momento sobre o assunto,  mas certamente a memória me indicará, mais tarde,  mais fatos relacionados ao tema.
Um grande abraço,
Ernani Marinho
 PS – O Mimo (era escrivão de polícia no Igarapé das Mulheres) a que te referes na tua cronica, estava preso no mesmo pavilhão onde estavamos, e aí o Messias  levantou a desconfiança: esse cara é da polícia, plantaram ele aqui conosco para espionar. A desconfiança dos presos ao Mimo só foi desfeita porque o Ribeirinho (seu colega na polícia) e o Isnard (seu velho amigo) avalisaram a sua idoneidade. Senão, além da prisão, teria a represália dos colegas de cárcere.

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