CRÔNICA

A SEMEADURA DE PAULO LEPRE

João Silva

Padre Paulo Lepre com os jovens da Paróquia de São José

No inicio deste ano aconteceu na Italia, ao lado dos familiares, o passamento do padre Paulo Lepre, ele que bem pouco antes da sua partida cumpria oficios de pároco da Igreja de São José de Macapá.

Por algumas circunstâncias nos encontramos várias vezes. A mais freqüente foi em razão da doença do meu pai, católico apostólico romano, e paroquiano, a quem dispensava atenção pessoal, assistindo-0 espiritualmente no seu leito de morte.

Muito difícil, aliás, não ver aquele homem baixinho, atencioso, gestos calmos circulando na rotina do centro de Macapá, entre a Igreja, o Teatro e o Comércio.

Paulo Lepre tinha simplicidade e bondade congênitas. Amava o próximo com a si mesmo! Quando chegava em casa, puxava uma cadeira, sentava-se diante do doente com a vista prejudicada, e ouvia suas queixas rezando de olhos fechados.

Até que Deus levasse meu pai aos 96 anos de idade, em outubro de 2008, Paulo Lebre trouxe a Igreja para dentro da nossa casa. O patriarca da família foi muito bem assistido espiritualmente, fez em paz a passagem que todos nós iremos fazer um dia que só Deus sabe qual será.

Lembro que as visitas pastorais de Paulo Lepre eram reforçadas por duas ministras ligadas a Diocese de Macapá que, graças a recomendação do bondoso pároco, vinham confessá-lo e comungá-lo em casa, além de rezar o terço duas vezes por semana.

Não guardo lembrança do velho Duca sem Deus na sua vida. Bom de saúde, assistia missa, religiosamente confessava, comungava, e na hora da oferta sempre entrava com dois reais “para ajudar a Igreja nas suas obras sociais”, dizia contente.

Certo é que fez amizade com o Pe.Paulo Lepre, que tornou-se seu sacerdote e guia espiritual. Na presença dele parecia melhorar, animava-se, abria o coração; os dois rezavam juntos o Pai Nossa, muitas Ave-Maria e o salmo 121, a pedido do doente.

Lepre devotava aos queixumes do paroquiano e amigo toda atenção e  paciência do mundo e ao final de cada visita “aconselhava” o de sempre: “perseverança e fé em Deus que tudo pode resolver, até o que for humanamente impossível”.

Alguns meses depois de sua morte, fui saber mais sobre a missão de Paulo Lepre; pesquisei nas redes sociais, na página da Diocese, ouvi testemunhos sobre seu pontificado, pude ter uma idéia melhor da comovente doação da sua vida aos mais necessitados.

Muitas vezes levou a Igreja para a realidade das pontes, das baixadas, das vielas de esgoto a ceu aberto da periferia de Macapá; dispunha-se a entrar nos casebres para ter com os mais pobres e doentes que precisavam do amor de Deus, da sua solidariedade e compaixão.

Em 2009 criou então o “exército da solidariedade”, ou “Pastoral da Juventude” da Paróquia de São José. E o fez tocando a alma dos jovens, despertando com seu amor a sensibilidade capaz de prouzir energia boa para o trabalho social, para a construção de uma sociedade mais justa.

A PJ, fruto da sua orientação pessoal, não se limitou aos cânticos da igreja, ao envolvimento nas ceremônias religiosas, ao purismo do trabalho de evangelização; a Pastoral da Juventude Paulo Lepre quer mais que isso.

Inquietou-se com a violêncio e mortes no trânsito, com os que sofrem nos leitos dos hospitais, quer saber por que tantos jovens matam, por que tantos jovens estão sendo assassinados, por que outros tantos vivem drogados, desempregados e desesperançados. E o que é possível fazer por eles.

Paulo Lepre foi levado aos ceus por anjos e querubins, mas o seu legado precioso permenece e será eterno, permanecerá vivo no seio da Igreja Católica, obra preciosa que certamente ainda vai salvar muitos jovens de um trágico destino.

Não há dúvida de foi mais um padre italiano que fez a sua parte, que doou sua vida de missionário ao Brasil e foi morrer na Italia – parece um caminho inevitável aos padres do PIME.

Ainda permanecem entre nós dentre os mais antigos, Paulo Di Coppi, quase 60 anos de sacerdócio, morando, trabalhando e rezando por nós em Florianópolis, e o João de Barro da Igreja do Amapá, o velho e bom padre Alexandre. Deus queira que permaneçam ainda por muito tempo.

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2 Respostas para “CRÔNICA

  1. Olá, nesse momento sinto muitissimo pelo falecimento do santo padre Paulo Lepre,o que estou sabendo agora pois procurei noticia de Macapá e encontrei seu texto muito emocionante…
    Morei 2 anos em Macapá,e fazia parte do grupo de canto Vozes de São José que tocava nas missas e nos eventos da catedral; o Padre nos apaoiava muito e tinha um carinho especial por mim; me chamava de Luzinha,no tempo tambem do Bispo Dom joão Soares Vieira, éoca em que viajou para a Italia e ali faleceu.Enfim, amigo, tive um grande prazer em tambem conhecer o padre Paulo Lepre, pois aprendi muitas coisas com ele, inclusive aperfeiçoar meu canto,com ele me sentia bem pertinho de Deus;agora peço que Deus o coleque bem pertinho Dele, para ele assim ouvir todos aqueles que o padre encaminhou aqui na terra.

    Va em paz padre,sem lamentos e so alegria por ter te conhecido….luzinha

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