OPERAÇÃO ‘TREM PAGADOR’ PRENDE EX-PRESIDENTE DA VALEC

 

Nacional

 
A Polícia Federal prendeu, na manhã de ontem (5), em Goiânia (GO), o ex-presidente da Valec, José Francisco das Neves, conhecido como ‘Juquinha’, numa operação denominada ‘Trem Pagador’. A prisão temporária é motivada por investigação por lavagem de dinheiro decorrente de superfaturamento das obras da Ferrovia Norte-Sul (que pretende interligar Maranhão, Tocantins e Goiás), em contrato firmado com a empresa Contran, na época em que Juquinha presidia a Valec. Perícias feitas pela PF apontam sobrepreço de mais de R$ 120 milhões.

Juquinha foi nomeado em 2003 pelo então presidente Luiz Inácio Lula da Silva e demitido no ano passado pela presidente Dilma Rousseff, no bojo do escândalo que em julho derrubou Alfredo Nascimento (PR-AM) do cargo de ministro dos Transportes. Nascimento caiu após denúncias sobre um suposto esquema de superfaturamento em obras envolvendo servidores da pasta.

O padrinho político de Juquinha é o deputado federal Valdemar Costa Neto (PR). A Valec é uma empresa pública responsável pelas ferrovias do país, e está ligada ao Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit).

O Ministério Público Federal e a PF apreenderam mais de R$ 60 milhões na operação ‘Trem Pagador’. Também foram presos temporariamente a mulher de Juquinha e seus dois filhos.

No total, a PF cumpriu ontem quatro mandados de prisão temporária, sete de condução coercitiva e 14 de busca e apreensão, além de sequestro de 15 bens imóveis.

A operação ocorreu nos municípios goianos de Goiânia, Mundo Novo, Uruaçu, Inhumas, Senador Canedo e Orizona, e nas cidades paulistas de Paulínia e Campinas.

O MPF diz que se deparou com ‘vasto patrimônio imobiliário’ em nome de Juquinha e, principalmente, sua mulher e seus filhos, ao fazer um levantamento patrimonial para entrar com ação de indisponibilidade de bens, para pedir a devolução de danos resultantes do superfaturamento das obras da Ferrovia Norte-Sul, uma das principais do Programa de Aceleração de Crescimento (PAC). Por isso, foi lançada a investigação por lavagem de dinheiro, iniciada em agosto de 2011.

Entre os bens localizados estão fazendas, lotes e casas em condomínios fechados, apartamentos e empresas que administravam esses bens. Segundo o MPF, o valor do patrimônio seria ‘absolutamente incompatível com sua condição [de Juquinha] de empregado público’ e os familiares estariam sendo usados como ‘laranjas’.

Quando candidato a deputado federal, em 1998, Juquinha declarou à Justiça Eleitoral ter patrimônio inferior a R$ 560 mil, segundo o MPF.

Além das prisões temporárias, nove pessoas tiveram suas contas bancárias bloqueadas pela operação ‘Trem Pagador’, que busca localizar e apreender documentos e informações que possam revelar outros bens ainda não identificados.

O ex-presidente da Valec foi preso na casa em que mora, no condomínio Alphaville, em Goiânia, mesmo local onde foi preso Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, em outra operação da PF, a ‘Monte Carlo’.

Juquinha das Neves é o atual presidente do PR de Goiás.

‘Boi Barrica’ – As irregularidades na ferrovia Norte-Sul, tocada pela Valec, foram inicialmente investigadas pela operação ‘Boi Barrica’ (rebatizada ‘Faktor’), da PF, e depois pela Controladoria Geral da União (CGU).

A PF e a CGU descobriram um ‘propinoduto’ na estatal, sustentado por licitações fraudulentas, envolvendo o empresário Fernando Sarney (filho do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP) e Ulisses Assad, então diretor de Engenharia da Valec (apadrinhado do senador Sarney e amigo de faculdade de Fernando).

Na gestão Lula, a Valec notoriamente se transformou num feudo político dominado por uma espécie de ‘consórcio’ entre Valdemar Costa Neto e José Sarney.

Em abril de 2010, Assad foi demitido, após ter sido afastado temporariamente do cargo em 2009.

‘Tranquilo’ – Ao portal G1, por telefone, o advogado de Juquinha, Eli Dourado, afirmou que entraria ainda ontem com habeas corpus para tentar libertar seu cliente. Dourado disse que conversou com Juquinha e que ele estava ‘tranquilo’.

De acordo com Dourado, não há provas contra Juquinha. Para o defensor, a prisão é ‘injusta, descabida e espetaculosa’. ‘Todas as vezes que ele foi solicitado, compareceu ao Ministério Público.’

CPI – O PPS vai pedir a convocação do ex-presidente da Valec, Juquinha das Neves, na CPI do Cachoeira.

Na sua gestão, ele contratou a empreiteira Delta para obras na ferrovia Leste-Oeste, por R$ 574 milhões. O contrato foi assinado em novembro de 2010. A Delta já recebeu R$ 31,9 milhões. ‘O contrato com a Delta justifica a presença do Juquinha na CPI porque a empresa está sendo investigada’, afirmou o deputado Rubens Bueno (PPS-PR).

(Portais Valor, G1, Folha Online e Redação do JP)

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