OPINIÃO

MULHERES DE LUTA

Editor

Pra começar, eu vibrei com aquela caneta [bola entre as pernas] que a Luiza Erundina deu no Lula ao recusar em tempo   angu de caroço [Maluf e seu passado] que só iria servir pra respingar esgoto sobre uma vida pública sem mácula, ao que me consta.

Dona Erundina foi corajosa, pedagógica, independente. Ofereceu ao Brasil uma lição de coerência e respeito ao mandato que exerce dignamente. Virou as costas ao Lula, mas ficou de frente pro povo, de cara limpa.

Ivana Cei – que mulher, hein?- chegou pra dizer a que veio, justiça se lhe faça! Soprou pra longe a poeira daquela leniência histórica – muita gente nem sabia a que se destinava – e transformou o MPE numa instituição atuante, presente na vida da sociedade, capaz de auscultar as vozes roucas das ruas.

Claro que enfrenta resistência da mídia criminosa, dos preguiçosos, dos ressentidos, dos políticos conservadores que gostariam que o MPE continuasse a ser um fantasma, a ignorar os sentimentos do povo,  a engavetar processos, a rejeitar  a função republicana de xerife da lei.

Veja o exemplo de Sueli Pini, sua luta e compromisso com a dignidade humana, com a agilidade da justiça, com o atendimento dos mais pobres, dos que vivem isulados na imensidão da Amazônia. Enfrentou a insensatez, o  preconceito de gênero, o jogo de cartas marcadas. Venceu um pacto que queria marcar território no seio da Justiça.

Claro que ela tinha todo direito de ir ao desembargo, como acabou indo. Mas se não fosse ela a mulher que é poderia ter cedido ao cansaço dos embates, cuja dureza induz à conformação. Mas não, correu atrás e é a nova desembargadora, a primeira mulher no Amapá  a chegar tão longe.

As parteiras, as escalpeladas, os deficientes visuais, os indígenas, os negros, as mulheres, a defesa da Amazônia libertária auferindo as riquezas dos recursos naturais sem a destruição do meio-ambiente, são razões da luta de algumas décadas de Janete Capiberibe.

É outra guerreira que nos honra com sua presença na Câmara Federal; mulher que não abre mão dos valores éticos e morais que os políticos e a vida pública não podem prescindir, vamos reconhecer deixando de lado as disputas, os  sentimentos pequenos,a vilania de plantão!

Bela mulher Eliana Calmon, que esta semana voltou ao olho do furacão, ao cerne do escândalo nacional que deu origem a CPMI do bicheiro Carlinhos Cachoeira, a propósito da desistência do juiz federal Paulo Moreira Lima, ameaçado de morte pela máfia da jogatina e aliados “ilustres”!

Com a firmeza de poucos homens  a corregedora do CNJ foi direta ao ponto: falou com autoridade em nome do Estado, da justiça, da sociedade; ela disse que o crime não pode pressionar o parlamento nem o judiciário, o Brasil não pode dar pinta de que o crime compensa.

“Outro juiz já está a frente do processo e do caso, que vai ser esclarecido e os culpados punidos na forma da lei”, disse Calmon lavando a alma do povo, entrando para seleto time de mulheres que esta semana fizeram a diferença no Amapá e no Brasil, que ficou, sim, um pouco mais igual, um pouco mais transparente e democrático, senão nada disso teria acontecido, não acham?

Com essa “cachoeira” de bons exemplos jorrando em ano de eleição, fiquemos de olho nos partidos políticos e nos 30% das vagas destinadas ao sexo frágil que nunca foi tão forte; vamos redobrar atenções contra o imbecil que acha que o lugar da mulher é em casa, cozinhando, lavando prato, cuidando das crianças.

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